Ops...me descobriram aqui...

e-mail-me, gosto de ser espinafrada

Nada como um ajudatório federal!

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Máxima da Semana:
"Argh."- Não fui eu, não!

A Entrevista

A Seita

A Matéria

Presente de Claudia Bia.

Eu uso!





Ele me protege!

desde 09/08/2003

8.10.03


Última parte do depoimento de Dra. Cloneide Vanessa



_Dra. Cloneide é agora ou nunca. Abrevie este depoimento. Jure tudo e vambora!

_Pois não, senhoríssimo Juiz, juro, juro, juro QUE NÃO FUI EU!

Ohhhhhhhhhhhhh!

_Chegarei a descapilarização, não sem antes dar-lhes uma breve explicação de minha tese revolucionária.

(Remexer de cadeiras no tribunal.)

_Que seja breve. Prossiga.

_As células aglutinadas nas unhas possuem elementos voláteis em demasia. Ao adentrarem na camada que reveste o óvulo perdem 1/4 de sua potência clonatífera. Após estafantes noites insones, tive por dedução que a queratina existente nos fios capilares provoca uma aderência jamais observada em nenhuma outra estrutura existente.

O senhor há de concordar comigo que não há coisa mais desagradável do que fio de cabelo agarrado na blusa, na boca, entre os dentes, na colcha de chenile e até mesmo, porquê não dizê-lo, nas roupas íntimas. Quantos já não tentaram livrar-se de um cabelinho, proveniente de qualquer parte do corpo e que , por isso, não perderam segundos que jamais serão ressarcidos? Cabelo é o ó, senhores!

(Zum-zum-zum, pigarros, tosses e sinais de concordância no tribunal.)

_Orrrrrrrrrrrrrrdem!

_Diante desta descoberta, a inveja assolou por completo Rubineide. Eu faria o clone, era questão de dias e, deste modo, ela seguiu-me até Ouricuri, arrastando consigo um pobre Oswalddo Maryo em seu Chevette de rodas de liga leve. A vil parenta denunciou-me à Sociedade Científica Cloneira do Brasil alegando má conduta nas pesquisas. Decerto que, personalidade metamorfoseante que sou, tive altos e baixos, e por este motivo fui forçada a tomar doses generosas de Olanzanpina para combater uma leve esquizofrenia que me atormentava. Fui internada, como todos sabem, em um sanatório sem que me desse conta disso, tamanha era a minha ingenuidade.

Hoje estou curada, foi preciso que acontecimentos terríveis ocorressem para que eu recobrasse a sanidade. Apresento-vos uma declaração do Conselho Federal de Cientistas de Clone revogando a decisão de expulsar-me e alçando-me à condicão de patrono. Serviço de utilidade pública, eis o motivo da homenagem. Clonar Eve, seria a panacéia mundial!

(Palmas no tribunal)

_Orrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrdem! Cloneide, minha querida...

_Rubineide consegue tomar de assalto a casa em frente à vendinha e lá espreitava Eve em sua sede fenomenal. Quando, extenuada e ávida por descanso, rumei ao casebre, minha prima já estava corrompida pela extrema aflição em ser. Não importava o quanto isto lhe custaria. Ela só queria ser. E ser All About Eve, senhores!

Na confusão que se estabeleceu, minha prima e eu a algazear e a peixeirar tudo o que víamos pela frente, punhamos todos em perigo. Oswalddo, já recobrando sua lucidez, desvencilha-se da corrente que o mantinha preso e cai matando em cima de Rubineide. Consegue tomar-lhe a faca, mas num gesto afoito, Rubineide vaza a papada de Ólabauti separando-lhe a cabeça do corpo.

Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Três vezes ohhhhhhhhhhhhh!


_Acalmem-se, acalmem-se! Seguranças, seguranças! Vai, Cloneide, conta, conta logo!!

__Ólabauti ao sentir que perdera a cabeça, começa a cuspir não só impropérios, mas também restos de um chouriço que mantinha escondido nas dobras de sua imensa língua. A nordestina era uma forte, excelência. Apesar de lhe faltar circulação, seu cérebro funcionava como se nada tivesse acontecido. O corpanzil, inerte na soleira da porta, espiava tudo, não dizia nada, já que não era lá grandes coisas. Ou melhor, era uma coisa imensa, mas de que adiantaria o corpo sem a cabecinha?

Desesperada e sabedora das implicações que seu gesto lhe traria, Rubineide foge ruela abaixo, gritando palavras desconexas e dando cambalhotas quixotescas. Sumiu de nossas vistas e, no estado de confusão mental em que nos encontrávamos, eu e Oswalddo não atinamos de que era preciso detê-la: Eve chacoalhando-se a minha frente, inspirava cuidados. "A lei saberá o que fazer com Rubineide", pensei.

"_Cloneide, sua besta, venha aqui. Não sei mais quanto tempo irei agüentar e quero fazer um último pedido e dizer algumas palavras. Aproxime-se".

_Lágrimas nos olhos, peito pulando como um cabrito montanhês, meu orgão construtor de palavras tornara-se terreno inóspito, eu nada conseguia dizer e, pateticamente, aproximei-me daquela cabeçorra privilegiada.

"_Ólabauti, desejo seu é uma ordem, prometo que irei cumprí-lo. Serei sua escrava nesta hora".

"_Meus detratores enfim conseguiram! Tudo está consumado. Mas não parto sem antes tomar mais um gole e dizer umas últimas palavras".

Oswalddo Maryo corre ao bar em busca de 51, enquanto eu amparava aquela cabeçorra. Uma lágrima insolente brotou de minhas pupilas, senhores. Por debaixo daquela carcaça, eu consegui enxergar olhos conscientes, olhos que deploravam as mazelas sociais, desgostosos com as injustiças e que pelos desassistidos se batiam.

Penalizada e compreendendo todo o comportamento olabautiviano, pedi-lhe que não
se entregasse, que fosse forte, que o mundo precisava de uma voz a levantar-se contra os desmandos dos mesquinhos de plantão e disse-lhe que não mais queria sê-la, eu era ínfima, não me julgava consciente o suficiente, mas nem isso foi capaz de demover o fim que se avizinhava.

_"Cloneide, não me encha o saco e traga a bebida! JÁ!"

Oswalddo chega com a cachaça. De um salto a cabeça evesca põe-se de pé, numa pirueta arranca-me a garrafa das mãos e, antes de sorver o combustível cachaçal, ela diz que proferirá suas derradeiras palavras. Um grito se ouve por toda Sobral:

_Vão se foder, seus fiiiilhos da puuuuta!!

E então, com a língua de réptil enroscada a garrafa, Ólabauti se afoga no álcool, meritíssimo, e parte desta para melhor...

Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!

_Dra Cloneide Vanessa, a senhora está livre da acusação de assassinato de All About Eve. Que buscas sejam feitas para que se faça a justiça. Vá em paz e que o advogado a acompanhe.

__________________________

Eu, Estevão Valério, trancrevo, assino e dou por fé. Shuiff...


________________________**********____________________________

E foi assim que tudo se deu, meus queridos.

Dr. Milton e Dona Judith me perdoaram e hoje, ao término deste meu último relatório, rumarei à homenagem que será feita em memória desta que será para sempre inolvidável: uma orgia comunista regada a muito mata-rato, cachaça da pura, e inconformidade com a situação dos desassistidos. O pagode acontecerá na laje lá do quintal, venham todos.

Convidem todos os inconformados com o sistema opressor a que somos submetidos, conclamem os amigos que são desafetos daqueles que se julgam donos do mundo alterando a ordem mundial ao seu bel-prazer e prestemos uma última homenagem àquela que alegrou nossas noites insones.

Mantive o corpo comigo. Foi desidratado, está num pote de margarina em lugar de destaque da minha estante de cerejeira. Por acidente, um dedo passou ileso pelo processo desidratativo e aqui o reproduzo.



Adeus, Ólabauti

(Que tal um clone do Seu Madruga? Hummmmm....)

(Tô indo, Dó Judith, Dr. Albieri já chegou?)



Para sempre é só.
Dra. Cloneide Vanessa.

Hic....

FIM




|1:43 AM|Falem com eu:

7.10.03


Continuação da Transcrição do Depoimento de Dra. Cloneide Vanessa.



_Jura dizer a verdade?
_Juro.
_Nome e profissão.
_Doutora Cloneide Vanessa, faxineira e cientista de clone.
_Dona Eve é inimiga de Bush mesmo?
_Se é inimiga? Pois soube que ela deu o fígado dele para os cães. Disse que não comia porcaria.

Oooooh!

_Comecemos, então. Transcrevente, transcreva, advogado, advogue, vendedor de balas, cale-se! E Cloneide, fale!

_Paramos onde mesmo?

_Na parte em que seria fácil descapilarizá-la.

_Ah, sim. Pois é. Dona Ólabauti forçou-me a ir até Sobral a pé, carregando-a nas costas. Com a imensidão corporal da moça, o senhor há de convir que fiquei alquebrada. Esta alquebração provocou em minha personalidade uma fúria jamais sentida. Como poderia Ólabauti fazer-me de cavalo assim, sem mais nem menos? De cachorro, tudo bem, eu estou acostumada. Mas de cavalo não! Ninguém faz Cloneide de cavalo! Soy una égua!

Então, unindo as últimas forças que me restavam, empaquei no meio da estrada, uma subida sem fim, com umas gentes esquisitas, uns barracos xexelentos, e duas vendinhas. Defronte a vendinha, um casebre de aspecto duvidoso, pensei: "Aí tem coisa..." e empaquei mesmo! Disse-lhe: "_Olha Dona Ólabauti, a senhora é uma entidade, diria uma divindade, a deusa
Shiva que faz chover no sertão, mas eu não carrego mais a senhora nas costas, não! Ou me dá umas unhas logo aí, ou então será obrigada a desencilhar-me!"


A gargalhada, meritíssimo. A gargalhada só não é mais assustadora que o bafão, sabe? Ressoou por toda a Sobral, por toda Ouricuri, dizem até que foi ouvida lá pros lados do Largo dos Periquitos, em Caxias. Esta gargalhada ainda apavora meu sono, senhor Juiz.

_Escuta aqui, sua cientista de merda! Tá de porre, sua bolha?? Vai me levar sim. E até aquele casebre ali. E vai ficando bem quietinha por lá enquanto refaço meu estoque marafal. Anda, anda!

_E a senhora andou?

_Não, trotei mesmo que era mais fácil, meritíssimo. Precisava descansar e adentrei o casebre, plantas e gatos em profusão, facões por todo o canto, roupas espalhadas e reconheci um perfume barato. Um olor enjoado, velho conhecido. "Rubineide!", pensei. E não é que era ela mesmo, mercedíssimo?


(Pigarros e ohs no tribunal)


_Ordem, ordem no tribuna! A ré precisa explicar-se.


_Bem, não tive dúvidas de que Rubineide, havia me seguido até Sobral. Enquanto atinava para entender o porquê de estranha visita, já que o pulha lhe pertencia, eis que a peça surge, olhos esbugalhados, facão em riste e babando verde.

_Sua prima sofre de doença incurável?

_Não, estava comendo abacate roubado de plantação próxima. Ela perdera o juízo por completo. Num canto da varanda, amordaçado e um tanto desmaiado o canalha do Oswalddo Maryo!

(OOOOHHHHHH!!!)

_Ordem, ordem! Conta, Cloneide, conta logo!

"Não me bastam mais seus noivos! Quero seu clone e seu projeto!! Eu serei All About Eve e ela deixará de existir por completo! E você há de colaborar comigo, senão dou cabo de Oswalddo!"

Desnecessário dizer que pouco me importava, mas enterneceu-me aquela figura barbada e magricela amarrado à grade como um cão sarnento. Aquiesci, senhor Juiz.

"Rubineide, sua invejosa! Não te bastam meus noivos e o limite do cheque especial? E a provisão de alisantes que te mando todo mês? Quereis o que de mim? Pai, perdoai, ela não sabe o que faz!", elevei ao céus uma frase feita, não conseguia pensar em nada original no momento, os senhores hão de compreender!

(Zum-zum-zum no tribunal)

_Silêncio ou todos serão retirados do recinto!

(Ouve-se o som de mosca voando)

_Continuando... Ao longe eu ouvia as gargalhadas pastosas, marca olabautiviana, e pensei: "Eve corre perigo! Devo salvá-la das garras da louca do Morumbi nilopolitano!"

_"Rubineide, vamos conversar. Largue este facão enferrujado e venha aqui comer umas jujubas que tenho no bolso."

Mais do que depressa, São Cosme e Damião fazendo efeito ainda, tal qual um erê alucinado, ela correu em minha direção e ainda pedia guaraná! Foi a deixa, meu Juiz: dei-lhe uma banda, apossei-me da arma, na verdade uma faca de cozinha que de longe, com a força das sombras, assumiu um aspecto tenebroso, mas que não passava de uma serrinha de pão! E Rubineide caiu estirada no chão lamacento.

Evidente que toda essa movimentação não levou mais do que 3 minutos e 32 segundos, mas o alvoroço deixou de orelhas em riste Dona Ólabauti, que enxugava a birosca em frente. Talvez apiedada de minha situação eqüina, a mestra resolveu vir ver o que acontecia. Eu sabia que estava entrando em seu coração, pois, por mais comunista que Eve fosse, Ólabauti não deixaria que eu fosse comida por uma criancinha, figura pela qual passava minha prima Rubineide, pois, afinal de contas quem come criancinha é comunista, e não o contrário, sabiam?

(Pigarros e ohs no tribunal)

_Orrrrrrrdem!!!

_Mas que porra é essa aqui? Vaneide, sua mulambenta, sossegue a periquita!

_Não, Altíssima! Rubineide quer levar-lhe! Não posso deixar que isso aconteça!

_E você acha que tenho medo de prima de faxineira, ô cavalgadura?

Neste instante, Rubineide já saciada de jujubas, ruma em direção a Ólabauti gritando:

_Quero cabelo, quero unhão, quero guaraná!

Eu não sabia que guaraná era palavra proibida para meu objeto do desejo clonatífero e a vi, literalmente, com a fúria do dragão chinês estampada nos olhos!

_A senhora se refere ao dragão dos festejos de ano novo da China?

_Não, senhor Juiz. Refiro-me ao dragão chinês da praia, aquele pastiche de sorvete, uma água suja com Ki-suco que enlouquece qualquer estômago cristão! Já tomaste o de abacaxi?

(Pigarros e zum-zum-zum no tribunal)

_Ordem, ordem! Prossiga, cara doutora.

_Bem, ao ouvir a palavra proibida, Eve que não bebe nada que não contenha álcool em sua composição, avança para cima de Rubineide a taca-lhe a mão nas fuças! Foi aí que a peixeira cantou, meu Juiz...

Ooooooooooooooooooooooooooooooohs!!

_Excelência, a ré precisa tomar sua água de coco. Peço uma pausa de 24 horas.
_Mas que advogado inconveniente! Dr Evaeus de Moraes, poupe-me! Concederei a pausa, mas que seja a última vez!
_Protesto, Meritíssimo! E a descapilarização?
_Estamos todos curiosos, mas a mocinha está extenuada e deveras abalada. Ela deve descansar. Encerrada a sessão de hoje.
____________________________

E o tribunal será fechado. A ré dormirá na carceragem científica feminina, devido ao bom comportamento.
Eu, escrevente Estevão Valério de Souza, transcrevi.



|1:54 AM|Falem com eu:

3.10.03


Transcrição do Depoimento de Dra Cloneide Vanessa.


_Seu nome e profissão.
_Doutora Cloneide Vanessa, faxineira e cientista de clone.
_Jura dizer a verdade, nada mais do que a verdade?

_Juro.
__Dona Eve tem bafão mesmo?

_Tem. Um bafo que descola a camada de ozônio a cada dia que passa
_Quantos kilos ela pesa, hein?

_Antes ou depois de ter sido desidratada?

(Pigarros e ohs no tribunal)

_Ordem no Tribunal! Comecemos. Trancrevente, transcreva! Advogado, advogue e Cloneide, fale!


_ Sabe, eu nunca pude ter um patinete, sempre fui muito gor...
_ Fale sobre sua ida a Sobral, Cloneide.


_Ah, sim. Bem, tudo começou quando senti que a experiência iria ralo abaixo. Mamãe não mandou mais dinheiro, Dona Judith tentou fugir várias vezes, Oswalddo Maryo, o canalha, passa pela rua e nem me cumprimenta, enfim uma sucessão de fatos desagradáveis e não tive escolha: eu teria que ir a Ouricuri. Precisava de mais unhas e queria uns conselhos também, sabem? Com isso tudo, acabei por desenvolver uma estranha fixação por unhas, apesar de ter descoberto que nos cabelos há um aglomerado maior de células.

Bem, então fui! Parti rumo a Ouricuri sem nem saber como seria recebida e ignorando por completo a localização do cafofo olabautiviano. Mas fui assuntando, assuntando, corrompendo crianças mancas que comiam grama pela rua e enfim, aproximei-me do casebre. Que casebre, senhores! Que casebre! Uma lástima! Doeu-me os olhos ver a miserabilidade em que vive a inspiração de meu ser! Caí num pranto convulsivo, ralei os joelhos na queda e, o instinto faxinal sobrepujando a personalidade científica cloneira,com as mãos, com a boca, feito uma tarântula míope, quis remover todas as guimbas e rótulos de 51 existentes no lugar!

Nisso, um estrondo tão forte, mas tão forte, que cri ser a aparição de Nossa Senhora! Mas não! Era ela, era ela!


_Nossa Senhora?


_Não seu Juiz, Dona Eve, oras!

(Pigarros e ohs no tribunal)

_Silêncio no tribunal! Prossiga, Vaneide.

Bem, então ela surgiu:

_Sua besta, vai pastar na casa na tua mãe, sua coi... epa! Cloneide? É você?
_Sim, magnânima, sim! Meus cumprimentos!
_Cumprimentos é o cacete! Vai tratando logo de explicar que merda é essa que está acontecendo! Que mané clone, o quê! Desembucha, traste!

Fui levada a um quartinho sórdido e obrigada a desembuchar. Desembuchei tudo, até o mocotó que havia comido na véspera.

_Então, é isso, Dona Eve. Será assim.
_E você acha que sairá impune disso?

E as gargalhadas ressoaram por toda Ouricuri. Ela gargalhou, gargalhou e gargalhou tanto que eu vi os gorgomilos dela balançando, meu bom Juiz.

Neste momento senti que não conseguiria mais as tão sonhadas unhas. A alternativa seria capilar. Uns bons chumaços de cabelo e as células estariam garantidas até a próxima geração de Vanessas! Na minha maleta de cientista, mantenho um laboratório portátil e coisinhas que fui angariando ao longo do projeto clonatífero. Sendo assim, saquei minha coleção de facas Ginsu, e pensei: "É agora ou nunca!".

Foi só aí que consegui comer. Com minhas facas fio tinto, consegui cortar um pedaço de queijo que parecia estar mumificado jazindo em cima de um caixote que servia de mesa. Minha fome ultrapassava os limites da rodovia que leva a Sobral.

_Que gosto tinha o queijo?

_Veja bem, meritíssimo, não recordo, pois logo em seguida tomei um safanão na orelha que me deixou até tonta!

Oooooohhh!!

_Ordem, ordem!

_Vamos imediatamente para o bar em Sobral. Você me leva, Cloneide. E paga tudo, claro!

Recolhi as facas, o laboratório, duas sacolas do Prezunic que me serviam de mala e rumei a Sobral. O coração aos pulos, já que no caminho eu tentava recompor meus planos. Mas foi mais fácil do que eu imaginara, audiência!


_Senhor Juiz, a ré precisa tomar sua Olanzanpina. Peço que uma pausa de 24 horas seja dada.


_Mas estava indo tudo tão bem, nobre causídico... Ok, uma datavênia para que a maluc... a ré possa ser medicada!

______________________

E o tribunal será fechado. A ré se encarrega da faxina da noite a fim de ter redução na pena.
Eu, escrevente Estevão Valério de Souza, transcrevi.



|12:23 AM|Falem com eu:

2.10.03


Da Correspondência Secreta




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|10:44 PM|Falem com eu:

Relatório IV


Mas para quê tantas unhas? Ora, desencefalizados: células!

C-É-L-U-L-A-S!


Entenderam? Preciso de incontáveis células para formar o exército de Eveleone! O clone gerado, parido, banhado e... eis que a fusão se dará! Beberei a água do banho do clone!


HAHAHAHAHAHAHA!


E serei ela!

HAHAHAHAHAHAHA!!


A banheira Jacuzzi já está com água até a boca e o unhão...bem, o unhão está lá pendurado. Pendurado num dedo que veio por acidente.


FOI ACIDENTE !! EU JURO!!


Preciso ir. Não sei porque motivo me trouxeram para um Centro de Reinserção de Cientistas de Clone. Darei uma palestra sobre como obter unhões, foi o que me disseram. Uma pena que eu não tenha conseguido me preparar convenientemente bem, já que terei ilustres presenças: Napoleão, Sabin e, dizem, até Deus! Tive que trazer tudo, tudinho que era meu, eles são exigentes.



Consegui desvencilhar-me da roupinha que é necessário usar por aqui, um local infectado de raios nucléicos só comparados aos de Chernobyl e por isso logo, logo devo vesti-la. É minha obrigação manter minha saúde física e mental em alta. O único senão é limitação dos movimentos causados pelo misto de blusa com chemisier e que cobre meus braços por inteiro. O corte é bem feito e a peça é arrematada com um grande laço nas costas. Moda moderna, já que a manga é que é o laço. Não me importo, uma cientista deve estar antenada com o que de há mais moderno há, mas fica difícil coçar a cabeça...



Ah, e eu trouxe a Feiticeira dentro da mala com o corp...com os apetrechos para a experiência. Ela veio dobradinha e nem amassou. Tem me sido de grande valia. Ou vocês acham que consegui escrever aqui como? Feiticeira colocou seus dotes em ação para cima do Bill Gates. Sim, ele anda por aqui também, só que com uma aparência diferente, mais careca e menos zarolho. As pessoas por aqui têm uma aparência estranha, diferente das fotos. Sabin por exemplo, é mulher. Sabiam? Pois é...e eu o julgava morto! Deve ser o ar que, tomado de uma genialidade tamanha, altera a fisionomia das pessoas! Estou no lugar certo!



HAHAHAHAHHAHAHAHAHA!

(Eles estão chegando para a palestra. Ué, mas porque estas armas????

Por hoje é só.
Adeus.
Dra. Cloneide Vanessa.


|9:08 PM|Falem com eu:

30.9.03


Da Imprensa


Meus queridos:

Não, não era o correio! Era um rapazote que se dizia foca de um jornal de Ouricuri e que vinha a mando de Coronel Nonato, dono do jornal local. Obviamente, a notícia do clone espalha-se de tal forma que Ouricuri não poderia deixar de ter uma entrevista exclusiva com a mulher que ousa ser ela!

(Parece que Ouricuri ainda não deu por falta de tão nobre dama! Ufa! Graças a Deus!)

Desconfio de um certo interesse obscuro por detrás de tamanha gentileza. Coronel Nonato quer é mais uma escrava branca. Mas se for para o bem da clonação, digo-lhes que me emprego! Serei ela tin tin por tin. Até na escravatura!

Segue a entrevista e suas devidas respostas.

1 - Que horas são?
R:Olhe para o lado direito, no lado direito, na parte inferior desta tela. Achou? Então, que horas são?
2 - Nome e apelido.
R: Doutora Cloneide Vanessa
3 - Quantidade de velas no teu último bolo de aniversário?
R: Tirando as derretidas que serviram de recheio?
5 - Tatuagens?
R: Um coração com a inscrição All About Eve, my desire no peito. Embaixo do seio pendurado a esquerda.
6 - Já foi à África?
R: Já. Numa experiência virótica com uns americanos, um vírus autômato instalou-se num macaco viciado em futebol. O bicho atingido só dizia: "É bola, é bola..." Parece que virou até filme. Foi meu primeiro projeto de estrepitoso sucesso! A África inteira pegou de primeira! Gente esperta!
7 - Já se embebedou?
R: Nunca. Sou cientista. Sou séria.
8 - Amou tanto alguém que chorou muito por ele/ela?
R: Oswalddo Maryo? Jamais choraria por ele! Por ela? Não, ela só me dá alegrias. Tantas que vou ser ela!HAHAHAHAHA!
10 - Prefere pregos ou cachorros quentes?
R: Pregos. No teu caixão, repórter de bosta!
11 - Peixe ou carne?
R: Miojo de picanha cremosa, que é só o que me dão aqui.
12 - Sprite ou Seven UP?
R: Baré, que é só o que me dão aqui.
13 - Cerveja ou champanhe?
R: Sou abstêmia e míope.
14 - Café ou chá?
R: Chá? Dizem que o de semancol é bom, mas nunca provei não...
15 - O copo é metade cheio ou metade vazio?
R: O copo é só um corpo que se atira como um bólido irreversível de encontro a minha boca, que extasiada, te sorve em pequenos goles. Ou não. Entende?
18 - Lugar em que te beijem?
R: Não me beijam. Não suporto beijos.
19 - Feriado favorito?
R: E cientista que se preza tem folga? Eu, hein...
21 - Flor(es)?
R: Cravo(s).
24 - Tom ou Jerry?
R: Quem?
25 - Disney ou Warner Bros.?
R: Como?
26 - Restaurante de comida rápida?
R: Tem um galeto aqui na esquina. Mas carne de coelho acho que não tem não...
27 - Quando foi a tua última visita ao hospital?
R: Nunca fui a um hospital. O cientista, acima de tudo, é um forte!
28 - De que cor é o carpete do teu quarto?
R: Durmo sobre uma esteira. Pode ser considerado carpete?
29 - Como chamava o teu ursinho de pelúcia?
R:Oswalddo Maryo...[suspiros de elevador...]
31 - Como se vê daqui a 10 anos?
R: Gorda, pelancuda, manca e com cara de maracujá de gaveta, que é como ela se veria, porque eu serei ela!
35 - Hora de dormir?
R:Ah, mas já?
36 - Quantas vezes deixas tocar o telefone antes de atenderes?
R: Nunca deixo tocar. Tenho faro telefonético, meu querido.
38 - CD?
R: CDM. É assim.
39 - Pior sentimento do mundo?
R:Sentir que a meleca grudou debaixo da unha.
40 - Melhor sentimento do mundo?
R:Comer a meleca que está debaixo da unha acompanhada daquela sujeirinha preta.
41 - O primeiro pensamento que tens ao acordar?
R: Eu vou ser ela!
43 - O que é que tens debaixo da cama?
R: Além do urinol que recebi de Tia Agnélia de herança, tenho três compêndios de medicina clássica escritos pelo dr Fritz, meu guru, uma pipeta, 17 tubos de ensaio, duas Playboy, uma... EPA! Que revistas são estas??
44 - Que horas são?
R: Não achou ainda? Será que a bateria do seu pc queimou, feito a minha?

Diante de tantas respostas absurdamente inteligentes, o jovenzito acabou por contribuir com as pesquisas. Doou-me uma caneta sem carga, mas com o clique funcionando muito bem! Pior é que ele exigiu recibo. E não é que eu dei? O recibo também, claro, claro...

PS: Venho sentindo umas contrações involuntárias no pescoço, o que causa um meneio de cabeça para as lateralidades e fico pensando em bolas de aniversário azuis com a inscrição "Leader Magazine ". Será que Vitamina C cura? Minha cabeça anda um pouco atordoada. E tanto que outro dia comi o gato da vizinha sem tirar nem o pêlo. E o pior é que ele nem era preto, que é dos meus preferidos. Dona Judith anda olhando para mim de rabo de olho, mesmo pregada no portão. Sei não, vou ter que dar cabo dela o mais rápido possível...


As raspas das unhas de Dona Eve já estão devidamente dissolvidas em aceto balsâmico que eu roubei lá da casa da filha da Dona Judith, quando lá fui a fim de dar uma faxina. [Bico, sabem como é, não? $$$ é preciso, né?] Eu nem sabia o que era, mas no manual do Tio Imbróglio dizia que agilizaria o desespessamento das células e assim o fiz. E não é que deu certo? Várias célulinhas estão lá, boiando. Como tenho um esteto que roubei tomei emprestado daquela piraúna de turbante roxo, facilmente escuto suas vozes. Parece que gritavam: 51! tan, tan, tan! 51, tan, tan, tan! Células poderosas, não? Já sabem contar! Célula de gênio, geninho é, né? É.

Ah, o Oswalddo Maryo ligou. Dr. Milton ficou enciumado. Disse o Oswalddo que estava arrependido. Bati-lhe o telefone na cara! Safado! Tava era sem dinheiro pra comprar outro bujão para colocar no Chevette dele, que é a gás. Eu sabia que prima Rubineide não tinha um centavo! Agora ele que agüente o chulé dela! E, como antes de desligar, eu lhe catapultei alguns impropérios, ele ainda teve tempo de pedir de volta o walkman da Philco que me deu no dia dos Namorados. Muita desfaçatez, né? Devolvo é nada! E até já desmontei, porque precisei de uns fios para ligar na torradeira que é o aparelho que dará o passo inicial para o choque de 4.500 volts no cloninho. Ai, não vejo a hora...estou tão ansiosa, queridos, tão ansiosa!

[Olha aí, já me deu o tique de novo. E agora estou pensando em jaguatiricas vestidas de bailarina. Começo a me preocupar, ou não há motivo ainda?]



Por hoje é só.
Adeus.
Dra. Cloneide Vanessa.


|11:36 PM|Falem com eu:

27.9.03


Meus queridos:


Notícias, muitas notícias, maravilhosas notícias!

Tudo está correndo conforme o planejado.

(Não fosse aquele pequeno contratempo... Falarei com eles sobre isso depois, é melhor.)

Lembram-se de minha ida a Bangu? Pois vejam, nada de primas. Nada de Bangu. Tudo era uma farsa. Nada de primas, nada de Bangu. Estive em Sobral, cidade-irmã de Ouricuri, isso sim!

EU CONSEGUI!!


Um unhão dum tamanho dum bonde. Eis o que tenho! E um pouco mais e ... bem, deixemos para depois.

HAHAHAHAHAHA!


Vou explicando aos poucos. Atentem, por favor.



A experiência vai de vento em popa, o óvulo já foi conseguido. Uma bexiga de boi cortada em pedaços praticamente atomificados fará às vezes de. A hospedeira será Dona Judith. Ela já está devidamente amarrada no portão. Não, eu não agüento mais esta velha. Tive de fazê-lo. Quando da minha volta, apliquei-lhe uma injeção de querosene e ela está lá, estática e balbuciando um mantra hindu que lhe ensinei. Lindo, lindo!



A usina funciona perfeitamente bem. Um pequeno vazamento, e que punha em risco nossa segurança, foi devidamente controlado com a ajuda de uma pá de ventilador velha. É como Vovó Maria Vanessa diz, não é nada, não é nada, não é nada mesmo, mas já é alguma coisa! Derretemos a coisa em cima do furinho e pronto: usina nova novamente.

Dr Milton, agora alçado a condição de assistente, é também meu maior captador de recursos. Ele é alto funcionário de um banco e na qualidade de escriturário tem uma influência muito grande junto aos seguranças das portas que travam celulares, isqueiros e sombrinhas, objetos muito perigosos de serem portados dentro de um banco. Devido a sua alta periculosidade, estes são guardados numa caixinha cuja finalidade é o esquecimento eterno do dono. Daí o trato com os seguranças: todos os isqueiros encontrados devem ser recolhidos na maciota e doados para o projeto. Dona Eve se larga num mata-rato que só ela, preciso ter o fogo em alta.

Bem, tendo Dr Milton e Dona Judith sob controle, posso me dar ao desfrute de nada mais fazer por aqui. Esta casa que se dane, eu só quero ser ela, eu só quero ser ela, eu só quero ser ela!

(Minha Olanzanpina não chegou. Dane-se! Eu não tomo mais essa coisa! Tenho a mente mais lúcida do que nunca!

HAHAHAHAH!



O parto será feito em casa mesmo, Feiticeira é mestre em apartar quizilas, contendas, refregas e, segundo ela, não haverá problema. Em havendo qualquer contratempo até Dr Milton pode ajudar. É muito fácil um parto de clone, como podem observar.



Portanto, com o óvulo preparado, a hospedeira pronta, Dr. Milton e seus olhares de fogo para cima de mim controlados, pude colocar em prática meu plano: pegar o maior número possível de unhas de Dona Eve. Ela foi muito gentil em mandar-me um pequeno pedaço e que aqui reproduzo, vejam:



Considerei o tamanho do material enviado e ponderei que necessitava de mais, muito mais! Eu, Dra. Cloneide Vanessa, almejo mais: vislumbro um exército de Eves a dominar o mundo! HAHAHAH! Um exército de Eves Vanessa pelo mundo! HAHAHAHAHA!



Quero unhão, quero unhão!

E consegui!

Eu tenho o unhão de Dona Eve!

HAHAHAHAHA!


Como consegui? Conto depois. Estão batendo na porta.

(Carteiro? Ué...)

Por hoje é só.
Ass:Dra. Cloneide Vanessa.


|3:47 PM|Falem com eu:

18.9.03




|5:14 AM|Falem com eu:

16.9.03


Relatorio III


Tarefas:

Instalar um duto condutor de dióxido de carbono na Usina.
Telefonar para Tio Imbróglio
Pagar a conta de telefone e investigar número de celular de Birigüi, outro em Cataguazes, um no Crato e dois em Nova Iguaçu, RJ.
Ligar para o assessor do secretário de gabinete do chefe do cerimonial do Ministério da Saúde, Dr Palhares, pedindo que agilizem a vaga na Maternidade do Bom Parto Bífido.
Verificar cheiro de queimado na Usina.
Pagar os 10 reais daFeiticeira. acabou o dinheiro.
Comprar cotonetes.
Comprar um facão afiado.
Tomar informações com minha tia bastarda sobre peçonhas.
Renovar o estoque da minha Olanzapina.

Por hoje é só.
Ass:Dra. Cloneide Vanessa.


|2:20 AM|Falem com eu:

10.9.03


Meus queridos:


Esta foi uma semana deveras atribulada. Uma semana de muitas visitas, muitos repórteres, curiosos, vendedores, anunciantes de blogs sem audiência e cobradores , mas contribuição que é bom, nada. Muita gente nova por estas paragens remexendo em tudo, andando de lá para cá, assuntando e foi só. Nenhuma contribuição ao meu projeto, projeto este que elevará o Brasil a condição de pioneiro em pesquisas genéticas. C'est la vie, seja lá o que signifique a expressão...

Diante de todo este alvoroço, em virtude destas visitas, o stress atingiu seu grau máximo e, conforme já noticiado pela brilhante assistente anã, a Feiticeira, fui acometida de um mal estar súbito. Umas contrações involuntárias no canto esquerdo do rosto, olhos fora da órbita e nervos a flor da pele. Nada que me abatesse: abatido será Oswalddo Maryo, aquele canalha!

Descobri que o safado anda ligando para minha prima Rubineide, aquela invejosa que me rouba os namorados. Ela anda dizendo por aí que é ricaça e bonitona do Morumbi, o que e é uma grande mentira! Na verdade, ela mora em Nilópolis, na Baixada Fluminense, e é completamente vesga. Ela que me aguarde! Ela e o cafajeste! Ou ele achava que eu não desconfiaria de ligações e mais ligações celulariais para outro estado e justamente na cidade onde elazinha mantém seu muquifo? Sou cientista, mas não sou boba! Ah, não sou mesmo! Dei-lhe um passa fora! Agora estou só! E não quero mais saber de assistentes oficiais! Serei eu e eu e eu e eu e ninguém mais do que eu sozinha a vencer, a laborar e a vencer!

Eu serei ela e o mundo saberá! Eu farei o clone, e logo após o nascimento do bichinho, fundirei minhas células às células clonadas! Já planejei toda a fusão: deixarei o clone em infusão uma banheira tipo Jacuzzi e que arrecadei num leilão da PF. Disseram que era do Beira Mar, Preamar, algo do tipo, e que estava instalada numa cela, num presídio que não sei muito bem. Detalhes irrelevantes! Só sei que a banheira é ótima e, enquanto o cloninho de meu ai-Jesus lá estiver infundido, será muitíssimo bem tratado! A brioche de ló, que é mais chique do que pão.

Depois de findada a infusão, a água do banho será cuidadosamente armazenada nuns barris de plástico velhos do Dr. Milton - que a cada dia que passa, mais taradão está, não estou mais suportando! Estou a ponto de meter-lhe a mão nas fuças, porém me vejo obrigada a suportar, preciso de um teto e de dinheiro, mesmo que o salário que me pagam aqui, ave Maria, seja de fome! Uma miséria que mal dá pra comprar meu alisante! Mas estou juntando um dinheirinho numa caderneta lá na Caixa para poder dar de um tudo para o clone. Todavia, contribuições são muitíssimo bem vindas, pois Dona Eve se larga numa garrafa e num mata-rato que não é mole, não! A julgar pela matriz, o clone vai beber todo o estoque marafal é de uma talagada só! Terei que mantê-lo bem ocupado, para distraí-lo, entendem?

O bom da Jacuzzi é que ela é bem espaçosa e garantirá todo conforto ao clone olabautiviano, que, decerto, será espaçoso como o quê. Dizem que Dona Ólabauti - que agora está com umas idéias de ser Xuxa, eu, hein! Já falei que Marlene Mattos, Deus mo livre e guarde, eu não quero virar! - anda beirando os 120 kgs. Isto na parte superior do corpo! Outra vantagem é que terei água o suficiente para armazenar, já que não posso me dar ao luxo de desperdiçar nada, beberei toda a água do banho sem deixar que uma única gota escape! Este é o plano, entenderam? Beber a água do banho do clone! Ai, que ninguém me segura, meu Pai!

Então é isso, meus queridos. Sinto-me muito feliz em ter este espaço para conversar com vocês neste tom confessional, sabem? Nem só de relatórios pode viver isso aqui, não? Obrigada pela paciência em ler este desabafo quilométrico, é que eu precisava, sabem? Desabafar é bom. Né? É.

Ah, sim! Eu mesma e sozinha montei a usina! Fácil, fácil! O manual era ilustrado, parece que foi feito pela Ruth Rocha, que fez questão de colaborar com o projeto! Tudo em desenhinho e com uns textinhos doces que só vendo!! Que mané ajuda de Oswalddo Maryo, o quê! Ele que se lasque lá com a ladrona de noivos alheios! Quero ver é ela agüentar o bafo matinal daquele pulha!

Adeus.
Por hoje é só.
Ass: Dra Cloneide Vanessa

_O que é, dó Judith? Já estou indo! Eu sei que a roupa tá na corda, já vou tirar! - Arre, que velha chata! Quando eu for famosa, boto-lhe para esfregar o chão que pisarei com a língua! Deixa estar... - Tô indo, dó Judith, é que estava aqui falando com...".

Fecha o pano.



|8:18 PM|Falem com eu:

9.9.03


Relatório II


Obs: Em virtude de mal estar súbito na nossa grande cientista, eu Nair Marineide, também conhecida como Feiticeira, assino o relatório de hoje.


Da instalação da Usina De Bitaipu

0/09/2003
11:00 horas - Oswalddo Maryo come uma coxinha enquanto analisa as peças diminutas da usina. Cofia o cavanhaque e coça a cabeça.
11:07 horas - Oswaldo Maryo é chamado por Dona Judith para dar uma olhada na pia da sua suíte, deixando a cientista sozinha.
11:09 horas - Dr Milton aparece na soleira da porta da cozinha de roupão e Rider.
11:10 horas - Dr Milton sai pulando para casa atingido por uma colher de pau voadora.
11:15 horas - Dra Cloneide Vanessa estuda o manual de instruções em ruço da usininha. Ar superior denota perfeito entendimento das garatujas.
11:16 horas - Dra Cloneide adentra a cozinha.
12:53 horas - Cheiro de feijão queimado. Sons de colher raspando algo. Imprecações.
13:00 horas - Oswaldo Maryo reaparece com cabelos molhados.
13:06 horas - Violento debate sobre contas telefônicas entre a cientista e seu noivo e assistente, Oswaldo Maryo.
13:12 horas - Oswaldo Maryo deixa o local cantando os pneus de seu Chevette verde metálico com rodas de liga leve.
14:00 horas - Caixas de Kleenex são cuspidas pela porta da cozinha sobre a usina ainda desmontada.
14:56 horas - Dra Cloneide Vanessa aproxima-se da usina, observa as peças e entra em seu estúdio.
15:02 horas - Sons guturais saem do estúdio.
19:56 horas - Dona Judith esmurra a porta do quartinho-estúdio pedindo que a bióloga búlgara saia.
20:00 horas - A porta se abre. Dra Cloneide apresenta-se desgrenhada e com olhos vermelhos - decerto inalação de gases poluentes e dos reagentes utilizados em suas pesquisas.
20:03 horas - Dona Judith analisa a conta telefônica celulética de Dra Cloneide Vanessa, bate-lhe levemente no ombro e sugere um descanso, dando por encerrada a atividade cloneira neste dia.
20:05 horas - Levanto-me da laje, tampo a caneta e fecho o caderno.

Por: Feiticeira, a anã assistente.(Aproveite e veja minha foto! Não perca! Isto sim é que é mulher. A dôtora disse que vai me clonar e assim serei duas em uma! Clique, clique, clique!)




|4:32 AM|Falem com eu:

4.9.03


Da correspondência Institucional


Itaipu, 03 de setembro de 2003.

Carta à insigne cientista, Dra. Cloneide Vanessa.

A Usina Hidrelétrica de Itaipu na figura de seu representante mor, Dr. Mauro Luiz, vem mui honradamente depositar um voto de confiança no altaneiro projeto clonatífero disponibilizando as instalações de uma nova usina para Vossa Senhoria.

Manifestamos toda nossa simpatia para com esta iniciativa inovadora, já que é característica desta empresa geradora de energia, colaborar, fomentar, induzir, e até mesmo, forçar o avanço da ciência gene-molecular que, a despeito das dificuldades inerentes a todo e qualquer projeto de ponta, alçará nosso nobre país ao mais alto degrau da ciência.

Sabedores da dificuldade em reunir 22.500 mulheres -- conforme brilhante orientação da mais baba-ovada jornalista da face da Terra, Dona Eve -- a fim de gerar energia capaz de chocar o óvulo portador do clone com uma descarga de 4.500 volts, construímos uma compacta usina totalmente descartável e que doamos com muita alegria. Apesar da descartabilidade usinal, ressalvamos que sua potência seria capaz de mandar um satélite brasileiro à Ucrânia em 0,00001 segundos, o que demonstra nosso interesse na utilização de tecnologia de ponta por tão brilhante cientista.

Acreditamos que sua equipe dará conta do recado na montagem, pois o manual de instruções foi cuidadosamente elaborado por uma equipe multidisclipinar composta de, entre outros profissionais, uma tia do Jardim de Infância, o desenhista Maurício de Zouza e um psiquiatra com ênfase na linha Reichiana.

O Brasil que tem homem ajudando o Brasil que não tem clone! Avante, Dra. Cloneide, avante!

Com nossos votos de estima e consideração renovados a cada dia,

Atenciosamente,
Dr. Mauro Luiz Iecker Vieira, Representante do Ministério das Relações Exteriores do Brasil



Veja as fotos da cerimônia. Clique aqui.


|4:19 AM|Falem com eu:

3.9.03


Fragmentos de um testamento amigável


"... a casa do Cosme Velho para Lily, minha musa despencadora.

Para Tony Ramos e Vivinha - Eva Vilma - deixo parte dos jardins do Projac, já que eles me levantaram depois da viagem da Tupi, quando não havia mais esperança. Nem Terra Nostra.

Para meus filhos, entrego as Organizações com a firme sensação que eles hão de matar o Faustão. Morri foi de desgosto, sabiam?

Todavia, meu último desejo é contribuir para com o progresso da ciência: Dra Cloneide Vanessa, a mártir da clonagem ólabautiviana deverá constar no BON da primeira semana de setembro. Caso tal fato não se dê, não morro!



E estas são minhas últimas vontades.

Dr Roberto Marinho, o Bloggermanzão.


[Ao final, lágrimas de Willian Bonner e Ana Paula Padrão. Emprego tá difícil!]


Da correspondência Secreta:


Queridíssima Dra. Cloneide Vanessa:

Entusiasmados que estamos com a nova cara do Brasil, estamos incluindo sua publicação no BON desta semana.

Esperamos que assim suas pesquisas acelerem o ritmo, já que com maior número de leitores, maior será a quantidade de moedinhas que pingarão em seu cofrinho.

Não esqueça de sua promessa ao nosso padroeiro, Dr. Roberto. Ele se foi com a convicção que seria clonado por tão eficiente cientista. Não o decepcione.

Espero que cumpra com a sua parte no trato do BON, caso contrário...

Atenciosamente,
Bloggerman ou Dr. Roberto Marinho Filhão.




|12:36 AM|Falem com eu:

29.8.03


Do resultado da enquete


Total de votos: 15.826 votos

80 % sim:12.660,8 votos
20 % não:3.165,2 votos

Obrigada a todos que responderam a enquete e solicito que aguardem um contacto. Ao longo desta semana Oswalddo Maryo, meu assistente e noivo, selecionará as primeiras participantes. Favor trazer catuaba e ovo de codorna para a primeira entrevista.


OBS: A anã Feiticeira, minha assistente mirim, confessa ter votado 5 vezes. Logo, destes 0,8 voto dos sim, 0,5 são dela. Os outros 0,3 devem ter sido sua prima Aianã, mas não é confirmado. Os 0,2 votos contrários são de origem desconhecida.

OBS2: Dr. Oswalddo Maryo para o bem da ciência consultou a numeróloga Mme Zoraydde Christtynnah e de pronto aceitou a nova grafia de seu nome. "Para afastar quizila.", segredou-me a orácula.

OBS3: Madonna, sua participação no projeto está definitivamente descartada. A constância do seu mau-gosto pode atrapalhar o desenvolvimento sadio do cloninho de Dona Eve. Críamos ser coisa passageira, mas vejo que nos enganamos. De toda forma, obrigada pela confiança em nosso projeto.

OBS4: Continuem mandando sua contribuição. Estamos precisando de leite em pó, colchões e alimentos não perecíveis. Cerveja, cigarros e aperitivos devem ser entregues pessoalmente. Ou então, ligue-nos para que nosso motorista Oswwaldo Maryo (sim, ele também é o motorista oficial do projeto) recolha em sua residência estes artigos de primeira necessidade.

OBS4.1: ATENÇÃO: somente serão aceitas doações de cigarros de filtro branco e com baixo teor de nicotina.



Por hoje é só.
Ass: Dra. Cloneide Vanessa.


|5:02 AM|Falem com eu:

28.8.03


Das doações





Ele contribuiu para o avanço da ciência!
Faça como Luiz, um patriota como se vê, e doe você também! Aceitamos qualquer moeda, de qualquer país!



|1:28 AM|Falem com eu:

27.8.03


Litterae mater


"Minha filha querida:

Espero que esta a encontre com saúde e saudade.
É com pesar que escrevo estas mal traçadas linhas, já que são portadoras de más notícias.

Infelizmente, vovó Vanessa não está bem e preciso viajar a fim de estar com ela. Uma terrível artrose a acomete impedindo-a, portanto, de manusear as pipetas e os reagentes tão necessários na sua pesquisa, a clonagem de Ellen Roche.

Causa-me estranheza a fixação de mamãe em Ellen Roche, já que a concepção de normalidade se faz mui vívida em nosso seio familiar. Aposto minhas fichas em lembranças remotas: Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos. Tempos felizes...

Mas como poderíamos adivinhar que nossa experiência com psicotrópicos tropicais fosse nos causar tantos embaraços, não? A perda de nosso laboratório querido acelerou o processo de degeneração dos axônios maternos. E talvez venha daí a fixação por Ellen Roche. Bem, pelo menos esta é mais simpática do que o Pablo, não concorda?

Portanto, meu amor, não poderei colaborar com a hospedagem do Cloninho. Eu havia escrito anteriormente e manifestado minhas inseguranças a respeito de minha participação nisso, lembra-se? Pois então, deu-se o inevitável, lamentavelmente! Non omnia possumus omnes!

De facto, não me mantive parada! Não, não! Pesquisas que realizei com Tio Imbróglio deram resultado: ele vai liberar-te uma fórmula secreta. Titio disponibilizou-me a fórmula do Adult's Clone. Caso seja de seu agrado, o clone olabautiano já poderá vir ao mundo como um adulto! Enviarei a papelada tão logo tenha acesso a escrivaninha de titio.

Despeço-me com uma dor no coração imensa, minha querida. [Acho que foi o mocotó.]

Continue comendo direitinho para crescer e ficar forte, sim?

Um beijão da Mamãe Neuza Vanessa.

A propósito: Vovó Maria Vanessa pediu que te entregasse a foto que colo abaixo. Continua muito jovem, apesar da idade, não?




Amor,
Mamãe.
"

Tarefas
- Fazer lista de possíveis hospedeiras. [melhor que seja mãe de muitos]
- Ligar para Titio Imbróglio
- Acompanhar a construção das camas em série
- Comprar Kama Sutra para Oswaldo Mário.
- Recolher os cacos dos vidros de maionese lançados no retrato de mamãe.

Por hoje é só.
Ass: Dra. Cloneide Vanessa.


|4:07 AM|Falem com eu:

26.8.03


A ciência aos pés do mito!



___________________________________



Da transcrição Ólabautiviana


Criação de pesquisa
Angariamento de fundos

"Mas eu tenho a solução para seu problema energético: segundo estudos científicos, cinco orgasmos simultâneos podem acender uma lâmpada de 1 volt. Ou você tem os orgasmos sozinha, ou junta o mulheril e liga em série. Assim, para conseguir seus 4.500 volts, cate 22.500 mulheres, ponha o Oswaldo Mário pra dar conta de todas, ligando as furunfas em série. Cabum! Óvulo fecundado!

All About Eve | 23-08-2003 00:08:41


(Mas que gênio, que gênio!!! Bendita seja eu em ter mente capta dora de idéias fascinantes!! Ou há invenção melhor do que povoar o mundo com Ólabautinhas cruzadas com Cloneidinhas, ou cruzadas com Jô Soaresinhos, com Leão Lobinhos, com Sivio Santinhos, com Elkes Maravilhas, hein? Oh, Deus, agradeço o dom da inteligência a mim doada!! Sem casca!)

Apoio? Sua colaboração? Conhecer Oswaldo Mário? Email-me, djá! E colabore para o futuro do Brasil! Esta experência não explode! Conto com você!

Por hoje é só.
Ass: Dra Cloneide Vanessa.

(_Ôoooi, dóJudith??
Já estou indo! Estava falando aqui com a Dona Creuza daquele ensopadinho de jiló e...)


|12:46 AM|Falem com eu:

21.8.03


Do fim de semana prolongado


Meus queridos:

O fim de semana com Oswaldo Mário foi para lá de proveitoso. Como todos sabem, consegui um motor de uma Yamaha, ML 125 e pude verificar as reais condições da peça. Ano 1989 e em perfeito estado, excelente aquisição!

Vejo-me obrigada a atrasar um pouco o cronograma que tracei, construindo uma pequena usina de energia elétrica nos fundios daqui de casa, já que a vizinha de baixo se nega peremptoriamente em ceder o gato utilizado em sua barraquinha de cachorro quente. Obviamente, ela não entrará nos créditos que meu clone carregará em suas costas. Todos que colaboraram terão o direito de estampar sua logomarca no corpo do ser supremo, o clone de Dona Eve. Colabore, djá!

Lembram-se que é necessário um choque de 4.500 volts para fecundar o óvulo que contém o clone, não? Pois então: utilizarei o motor da Yamaha como força motriz, obviamente. A força impulsionará as pás do Faet - doação de dona Marleide, irmã da minha patroa.

Toda a movimentação das pás na água do valãozinho e que corre aqui nos fundos no terreno, gerará a energia necessária para chocar o óvulo! Não descobri ainda como ligar o motor, penso em utilizar o Oswaldo Mário, meu noivo, agora alçado a condição de Assistente Júnior Baiano. Preciso refletir um pouco mais.

Recebi as unhas de meu objeto clonatífero pelo Jeguex. Paulo Coelho mostrou-se uma mula bem educada, relinchando de forma muito delicada. Obrigada pelo envio,Dona Eve.

Por hoje é só.

Ass: Dra. Cloneide Vanessa. [Sem w porque minha numeróloga virou crente e disse que isto tudo é coisa do malvado. Procurarei outra, eflúvios astrais são sempre de grande valia na ciência.]



|2:27 AM|Falem com eu:

14.8.03


Da concorrência



Povo atrasado! Clonar lebre com gente!
De onde se vê que o comunismo não está fazendo muito bem a cabeça deles, não... Deve ser triste não ter ninguém decente para copiar !
Se bem que, com tanta gente por lá, a clonagem deve ser para fins alimentícios.

Eu, hein...

Por hoje é só.
Ass: Dra. Cloneide Vanessa.

PS: Minha numeróloga aconselhou-me trocar meu nome para Wanessa - lê-se Uánessa, com o a bem aberto. Estou em estudos. Tudo estudo.



Ass: Dra. Cloneide Wanessa. (só para testar o impacto)



|5:37 AM|Falem com eu:

13.8.03


Relatório I


Resultado das pesquisas

Óvulo: s.m. 1. Pequeno ovo.2.Célula sexual feminina que, fecundada pela masculina, vai produzir um novo ser ELA!.3. (Bot) Célula feminina das plantas.

Clone:A palavra "clone" vem do grego "klón", que significa "broto". (Dona Eve vai a-do-rar saber que será forever young!)

Planos de Saúde:
Faixa etária de mamãe, a hospedeira: 50 a 59 anos.

AMIL----------------- R$1.805,16
ASSIM -------- R$260.87
BRADESCO ------- R$2.413,28
GOLDEN CROSS-- R$ 772,18
SUL AMERICA------ R$2.847,12



Inviável. Ligar para a Maternidade Pública Nossa Senhora do Bom Parto Bífido. Ou para a Casa da Mãe Solteira.

--------------------

Tarefas:

Ligar para o Humberto Costa, ministro - vaga para o parto.
Ligar para o CNPq, banco - verba para a pesquisa.
Ligar para o Oswaldo Mário, meu noivo - meu termômetro, safado!

Mais um passo foi dado para o início do experimento l!

(_Ôôôôooi??
Já vou, dó Judith! Só um minutin!! Tô fazenu a lista di compra do sacolão! )


Por hoje é só
Ass: Dra. Cloneide Vanessa.



|4:42 AM|Falem com eu:

11.8.03


Dra. Cloneide, o futuro mito


Meus queridos:

Lanço-me à nova empreitada com o mesmo ardor de um cão sarnento em muro chapiscado.

Alguns apetrechos que serão utilizados no processo clonatífero repousam sobre a bancada da pia do quartinho de empregada que habito. Como todos sabem, enquanto a fama não chega, faxino a casa de Dona Judith que vem a ser prima-irmã da vizinha de cima do concunhado do carteiro que entrega as cartas em Ouricuri. Tudo foi cuidadosamente planejado: o pedido de emprego, o disfarce bigodudo e a cara de anjo.

Dona Judith e o Dr Milton, seu digníssimo esposo, acolheram-me quando apareci na porta deles pedindo uma oportunidade, uma chance para vencer na vida. Disse-lhes que era secundanista de Biologia e necessitada de um teto e de um salariozinho qualquer para me manter. Mal sabiam eles que sou herdeira de Miss_Lex ®, aquela velha insuportável e pernóstica. Após a clonagem de meu benjamim, planejo o assassinato da bruxa farmacêutica. Terei os genes de Eve e a riqueza daquela piraúna de turbante roxo. Serei tudo!

HAHAHAHAHA!


Contei ao casal uma historinha qualquer sobre minhas origens, uma suposta descendência búlgara, para justificar a rouquidão de minha voz e meu falar empolado. Tenho um nó na garganta por não ser ela e que me impedem de pronunciar as palavras corretamente!! Tomados de compaixão - e Dr Milton de olhares concupiscentes, já que ele é chegado a um bagulhão louro - acolheram-me.

Meus patrões quando vão jogar alguma coisa fora, oferecem-me, pois foram alertados por mim que tudo o que não lhes fosse útil me fosse dado, já que faço parte de uma ONG protetora de criancinhas vitimadas pelo Mal de Strombello, doença nova e incurável e da qual sou profunda especialista. Toda quinquilharia doada, seria revertida em fundos para a organização. Eles acreditaram, como são pios, Senhor!!

Portanto, a mangueirinha bicolor de lavar o jardim do Dr Milton, que seria posta fora por já estar murcha, e um fogareirozinho à gás de camping de Dona Judith, aguardam pela sua participação no experimento do século.

Não sei como serão utilizados, mas eu acho serventia.

Por hoje é só.

Ass: Dra. Cloneide Vanessa.

PS: Acho que tem alguém me seguindo. Pedirei garantias de vida à PF, caso isso continue. Todo aquele que tentar brecar meu experimento, será eliminado. Estão avisados. Eu vou ser ela, eu vou ser ela, eu vou ser ela, eu vou ser ela, eu vou ser ela, eu v...



|10:28 PM|Falem com eu:

9.8.03


O objetivo desta publicação


Neste blog eu, Dra Cloneide Vanessa, descreverei passo a passo toda a experiência que, sem sombra de dúvida, será a experiência do ano, do século, quiçá do eterno:

A clonagem de All About Eve.

Já que não fui agraciada pelo Divino com a graça, a sapiência, a malemolência e o bafão infindo de Dona Eve, eu, Dra Cloneide Vanessa e minha maravilhosa equipe anã, clonaremos aquela que julgamos ser a porta-estandarte da inteligência profícua. Tão logo a clonagem se dê, fundirei meus genes aos do clone!

HAHAHAHAHA!!! HAHAHAHA!! O experimento genético definitivo!!

As pesquisas transcorrem em ritmo frenético, estou mergulhada em compêndios e calhamaços de Medicina Extracorpórea de Clonagem Alternativa dos Genes Moléculo-eletrônicos de Seres Esfuziantes ou Como Fazer um Clone em 10 lições. Esta vertente da Medicina moderna aplica-se ao objeto do desejo clonatífero com muita propriedade.

Portanto, meus queridos leitores, dentro em breve mandarei mais notícias. Agora preciso ir-me porque a água já está fervendo e o feijão pode queimar, já que enquanto a fama e o clone não me vêm, preciso dar expediente na casa de Dona Judith.

Adeus.


Ass: Dra Cloneide Vanessa.


|7:18 PM|Falem com eu:

Eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou clonar ela, eu vou...



|4:58 PM|Falem com eu:

Como fazer um clone

Para fazer um clone, os cientistas usam o método da transferência nuclear , o mesmo método utilizado para criar a ovelha Dolly, em 1997.

A matriz a ser clonada doa uma célula qualquer, exceto o óvulo ou o espermatozóide, pois esse tipo de célula só tem metade da informação genética, o que não é suficiente para se produzir um indivíduo. (Anotação 1: roubar pedaços de cúticulas velhas grudadas no cortador de unhas da Eve.)


Um indivíduo qualquer doa um óvulo e seu núcleo, onde estava toda a informação genética, é retirado. Assim, o óvulo passa a ficar sem identidade. (Anotação 2: ligar para mamãe quebrar essa para mim.)


A célula da matriz é colocada em um óvulo sem núcleo e se mistura a ele. (Anotação 3: procurar saber o que é óvulo.)


O óvulo é fecundado com um choque de 4.500 volts pois, se isso fosse feito por um espermatozóide, as informações genéticas dos dois se misturariam, dando origem a um indivíduo diferente da matriz. (Anotação 4: pegar o fio do gato lá no quintal e misturar com o fio do gato da barraquinha de cachorro quente da vizinha de baixo.)


Após a fecundação elétrica, o óvulo começa a se dividir e, geralmente entre cinco e nove dias, é implantado em uma barriga de aluguel, onde permanece até o final da gestação (Anotação 5: procurar um fiador. Anotação 6 e última: pedir para minha irmã ir para a filha da maternidade pública daqui do bairro, pra segurar a vaga para o parto.)

HAHAHAHA! Já sei fazer um clone!!!


Ass: Dra Cloneide Vanessa.


|3:44 AM|Falem com eu: